Direitos dos animais: alguém respeita?

A Declaração Universal dos Direitos dos Animais, proclamada em assembléia da Unesco, em Bruxelas, no dia 27 de janeiro de 1978, diz o seguinte:
ARTIGO 1:
Todos os animais nascem iguais diante da vida, e têm o mesmo direito à existência.
ARTIGO 2:
a) Cada animal tem direito ao respeito.
b) O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar os outros animais, ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais.
c) Cada animal tem direito à consideração, à cura e à proteção do homem.
Para ler na íntegra a
Declaração Universal dos direitos dos animais clique aqui.
Há uma distância enorme entre os direitos dos animais e a realidade, sua aplicação prática. No nosso dia a dia nos deparamos com diversas situações em que percebemos que tais direitos ficaram só no papel. A realidade é o massacre e extermínio.
Interessante é o ponto de vista apresentado em entrevista à revista Veja (páginas amarelas), pelo filósofo australiano Peter Singer, mostrando que até a maneira de como nos alimentamos está relacionado com essa questão.
“O ato de comer também envolve uma questão moral. A forma como nos alimentamos hoje faz o animal sofrer, causa doenças, provoca uma epidemia de obesidade no mundo e tem impacto profundo no meio ambiente.”
E continua:
“As pessoas precisam parar de pensar na comida apenas como algo de que se gosta ou que faz bem à saúde. O ato de comer também é uma decisão ética e moral. É necessário pensar nas conseqüências do comer, tanto para os animais que nos servem de alimento como para o meio ambiente ou para nós próprios. A forma como nos alimentamos hoje faz o animal sofrer, provoca uma epidemia de obesidade no mundo e é causa de uma série de doença nos seres humanos. Isso tem impacto profundo no planeta e no meio ambiente.
Os animais são criados nas fazendas industriais sem a mínima dignidade. Os porcos, que instintivamente procuram abrigo para alimentar seus filhotes, não podem sequer se mexer, porque vivem num espaço mínimo. Os filhotes são arrancados da mãe e o mais rápido possível, para que possam engordar e procriar. O gado não come capim, como todo mundo pensa, mas restos de animais e seus excrementos . Os frangos criados em granja vivem em galpões que abrigam até 20 000 aves que nunca vêem a luz do dia, só a luz artificial. São abarrotadas de antibióticos e hormônios para ganhar peso. Quem não se interessa pelos bichos deve pelo menos pensar em si próprio. A doença da vaca louca é um exemplo do resultado dessa forma de criação estapafúrdia. Além disso, o confinamento de bilhões de animais, alimentados de forma excessiva para o abate, exige uma quantidade incomensurável de plantações. Em alguns anos não haverá mais terra para o plantio no planeta. Isso sem falar que a China e a Índia, com suas enormes populações, começaram a reproduzir métodos ocidentais de criação de animais. Se esse processo continuar, aumentarão os danos ao ambiente, a incidência de doenças cardíacas e os casos de câncer do sistema digestivo. São bons motivos para avaliar a comida moralmente.”

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