Vegetarianismo: ecologia da boca para dentro
Por :Juliana Muradian

Entre muitos mitos que rondam o vegetarianismo, um deles é a alimentação só a base de salada. Porém, é bem mais abrangente e complexo que isso.
A natureza nos oferece diversos alimentos, e com todos os nutrientes necessários para uma saúde equilibrada.
O que é vegetarianismo?
Seu nome não se origina de alimentação vegetal, e sim, do latin, vegetus que significa “forte”, “vigoroso” e “saudável”. Ou seja, uma alimentação desprovida de qualquer carne de animal, isso inclui peixes, aves, mamíferos e frutos do mar.
Existem três princípios básicos para uma pessoa se tornar vegetariana.
Por razão ética: considera-se que os animais têm o mesmo direito à vida (inclusive completando o seu ciclo de existência sem a interferência negativa das atitudes humanas) e à preservação contra o sofrimento
imposto pelos
seres humanos.
Também são incluídos os motivos religiosos, já que o vegetarianismo faz parte do código de ética de algumas religiões, como o hinduísmo e o adventismo.
Veja declaração dos direitos dos animais
Por razão de saúde: foram comprovados cientificamente os prejuízos da carne e os benefícios das verduras, legumes e grãos.
Por razão ambiental: A criação industrial de animais traz impacto ambiental negativo, tanto localmente quanto para o planeta.
Devastação de florestas, com desertificação do solo, a poluição gerada, com conseqüente contaminação de mananciais aqüíferos, distribuição e ocupação inadequadas de terras e menor geração de empregos são alguns impactos da produção da carne para os recursos naturais humanos.
“Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentara as chances de sobrevivência da vida na terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará e muito o destino da humanidade.”
Albert Einstein
Tipos de dieta vegetariana
Ovolactovegetarianos: apenas não comem carne. Esse grupo aceita o consumo de ovos e laticínios. Essa é a opção da maioria dos vegetarianos.
Lactovegetarianos: não comem as carnes e nem os ovos. Utilizam laticínios como o nome sugere.
Ovovegetarianos: não comem carnes, leite e laticínios. Utilizam ovos. São poucos os indivíduos que seguem esse padrão alimentar.
Vegetarianos “verdadeiros”: também chamados de puros ou estritos. Esse grupo não come qualquer alimento derivado de animais: carne, ovos, laticínios, mel, etc.
Vaganos: têm as mesmas restrições que os vegetarianos verdadeiros e ainda não utilizam produtos não-alimentícios provenientes de animais, como lã, couro, seda e pele.

(vaca de berinjela)
Curiosidades
• Os países que mais consomem laticínios apresentam os números mais altos de osteoporose.
• Os habitantes de Vilcabamba, Equador, vivem freqüentemente mais de cem anos: eles comem menos de 30 gramas de carne por semana.
• Único atleta a vencer o triatlo no Ironman mais de duas vezes: Dave Scott (venceu seis vezes), um vegetariano.
• O mamífero e o pássaro que detêm o recorde de longevidade (elefante e papagaio) são vegetarianos.
• Milhões de pessoas na Índia, e em outros países, vivem, desenvolvem-se e multiplicam-se há milhares de anos sem provar carne de espécie alguma.
Alguns vegetarianos conhecidos
• Buda
• Confúcio
• Gandhi
• George Harrinson
• Jesus
• Lao Tse
• Leonardo da Vinci
• Paul e Linda McCartney
• Rita Lee
• Sócrates
“Tempo virá em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassino de um homem”.
Leonardo da Vinci
Além de não comer carne...
Embora a alimentação seja um fator importante para mantermos a saúde, ela não é o bastante por si só. Se uma pessoa é vegetariana mais não toma sol e passa a vida sentada em ambientes confinados, se não mastiga direito, abusa de doces, de alimentos fritos ou gordurosos ou se, além disso, fuma ou usa bebidas alcoólicas (o que é raro entre os vegetarianos), ou, ainda, entrega-se a trabalho excessivos e passa noites mal dormidas, evidentemente o seu vegetarianismo não valerá muito.
Além disso, o fator moral e o equilíbrio sexual e emocional desempenham papéis importantíssimos na saúde física e mental do indivíduo.
Ser um bom vegetariano não é, simplesmente, suprimir a ingestão da carne.

(peixe de acelga)
“Se os matadouros fossem de vidro, pouca gente comeria carne.”
Paul McCartney
“Geralmente as pessoas usam como desculpa para continuar comendo carne o fato de que seres humanos sempre comeram carne. De acordo com essa lógica, não deveríamos tentar impedir pessoas de assassinarem outras já que esse comportamento acontece desde os tempos mais remotos.”
Isaac Bashevis Singer
Os males da carne
De acordo com o julgamento das maiores autoridades do planeta no combate ao câncer, só o cigarro pode ser mais perigoso do que uma picanha na brasa.
Segundo os médicos, 35% de todas as mortes por câncer se devem, em boa parte, ao abuso no consumo de filés, lombos e lingüiças.
Além dos cânceres de intestino, boca, faringe, estômago, seios e próstata, a carne provoca alto risco de ataque cardíaco, hipertensão, aterosclerose, excesso de ácido úrico (causador de gota e doenças articulares) úlcera no aparelho digestivo, doenças renais, diabete, pedra na vesícula e obesidade.
A carne é parte de um corpo morto (cadáver), e como tal, rapidamente se deteriora, formando substâncias prejudiciais ao organismo.
As substancias tóxicas produzidas pela carne atingem o interior das células e modificam sua estrutura genética.
O DNA é transformado e passa a comportar-se de maneira anormal e independente, não respeitando mais a harmonia e o equilíbrio que caracteriza um tecido normal. Após algum tempo, o numero de células rebeldes aumenta e domina os órgãos onde foram geradas. Finalmente, vem a destruição do órgão que as hospedou, e, por extensão, de todo o organismo.
O fígado é um dos órgãos gravemente atacados pela proteína animal, ou seja, carne branca, vermelha, ovos, leite e os seus derivados.
“Muitos têm pena, mas comem os objetos da compaixão que sentem.”
Oliver Goldsmith
Referências bibliográficas:
Revistas:
Super Interessante – 1998
Saúde – 2000
Vida e Saúde – 1999
Vida Simples – 2005
Boa Forma
Livros:
Alimentação sem Carne – Eric Flywitch
Vegetarianismo – Marly Wincker
Os Campeões são Vegetarianos – M. Charlotte Holmes
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