Jatobá centenário - Era uma vez
Era uma vez um majestoso jatobá, uma das mais nobres árvores, que vivia em um grande terreno na Avenida Dois Córregos, em Piracicaba – SP, região bastante populosa. Chamava atenção pelo seu tamanho, por sua grande copa e por ser a única árvore do local. Era centenário, mas não velho, por ser de uma espécie que pode durar muito mais.
Lembro um dia, há alguns anos, passando por lá, como sempre olhei em sua direção, em sinal de respeito e admiração. Mas neste dia havia um elefante à sua sombra, bem em baixo dele. Uma imagem inesquecível, pela grandeza dos dois.
Tempos depois mudo para um apartamento, de cuja varanda, mesmo distante, o enxergava. Isso era muito gratificante.
Em uma manhã, como de costume, olhei para o horizonte e tive tremendo impacto ao vê-lo caído. Fiquei furioso. Peguei a câmera fotográfica e fui até lá. Muitos no bairro também estavam tristes e decepcionados diante de tamanha covardia. Fizeram um loteamento no terreno, acharam melhor cortá-lo e ironicamente batizaram o lugar de Reserva Imperial. Dupla burrice, com certeza o jatobá só teria valorizado o empreendimento.
Entrei com uma representação junto à Promotoria do Meio Ambiente de Piracicaba, através da AFG, esperando que os responsáveis fossem punidos. O promotor chamou os envolvidos e o DEPRN – Departamento Estadual de Proteção aos Recursos Naturais para apurar os fatos e solicitou um laudo a este órgão.
O DEPRN atestou que, por tratar-se de uma árvore que não pertencia à uma espécie em extinção e por não estar em área de preservação permanente, poderia, sim, ter sido sacrificada. Tudo ficou por isso mesmo.
Que vergonha! Quando se mata um ser humano, que também não pertence à uma espécie em extinção (muito pelo contrário), tal ato é considerado um gravíssimo crime passível de punição. Até quando os seres humanos vão se julgar superiores, podendo decidir sobre a vida de outras espécies?
É por tudo isso que o nosso planeta se encontra nessa deplorável situação. Posso dizer, com toda segurança, que a Terra está quase acabada. Resta apenas um pouco para não sobrar mais nada. Quanta sabedoria!
Jatobá cortado
Triste cena: jatobá morto
Placa do empreendimento em frente ao jatobá derrubado
Fernando G. Guidotti
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